A Blizzard revelou os primeiros detalhes de Diablo V durante a BlizzCon 2026, apresentando a história, o mundo, as primeiras classes e parte dos sistemas de gameplay e itemização planejados para o próximo capítulo da franquia. O jogo ainda está em desenvolvimento e marca o retorno de Diablo, Senhor do Medo, ao centro da narrativa depois de mais de uma década sem protagonizar diretamente uma história da série.
A principal mudança começa justamente pela situação de Santuário. Desta vez, os jogadores não tentarão impedir o retorno de Diablo ou evitar que ele conquiste o mundo. Outros heróis já tentaram fazer isso e fracassaram. Quando Diablo V começa, Diablo já venceu e Santuário foi destruído, colocando o jogador em um mundo que os protagonistas dos jogos anteriores sempre tentaram impedir que existisse.
A Blizzard explicou que Diablo não será apenas uma ameaça distante ou um chefe esperando pelo jogador no final da campanha. O Senhor do Medo será um personagem desenvolvido ao longo da história e sua presença influenciará os acontecimentos desde os primeiros momentos. A equipe chegou a considerar uma abordagem mais moralmente ambígua para o personagem, mas decidiu seguir outra direção: Diablo não será apresentado como alguém incompreendido ou passível de redenção. A questão central será descobrir o que acontece depois que ele finalmente consegue vencer.
A campanha colocará o jogador no papel do Herdeiro de Hespéria, com a história retornando ao Continente Ocidental. Hespéria se tornou o centro da invasão de Diablo e praticamente todo o continente foi tomado, funcionando agora como um posto avançado do Inferno. Pouquíssimos humanos permaneceram sem se curvar ao domínio de Diablo ou aderir aos seus cultos.

Alguns humanos poderosos foram corrompidos e transformados nos chamados Comandantes do Medo, que possuem poderes comparáveis aos duques do Inferno. Aqueles que continuam resistindo podem acabar presos em jaulas de almas ou arrastados para o Reino do Medo, uma região do Inferno pertencente ao próprio Diablo.
A história começa a ganhar forma quando o protagonista descobre ser capaz de entrar no Reino do Medo e sobreviver. Durante essas incursões, o personagem também descobrirá outros poderes que a Blizzard ainda não está preparada para revelar.
O protagonista terá ainda uma ligação única com Diablo, cuja origem será explicada durante a campanha. Essa conexão permitirá compreender aspectos do vilão e poderá colocar o personagem em uma posição capaz de enfrentá-lo, mas também criará uma vulnerabilidade à influência do Senhor do Medo. Parte da história e do gameplay será construída em torno dessa relação, incluindo a possibilidade de resistir à influência de Diablo e utilizar seus próprios poderes contra ele.

A queda de Santuário aconteceu sete anos antes dos acontecimentos de Diablo V. Durante esse período, Diablo e seus Comandantes do Medo espalharam sua corrupção por Hespéria e passaram a modificar fisicamente o continente.
Essa transformação terá impacto direto na exploração. A Blizzard está trazendo de volta a geração procedural tanto para as masmorras quanto para o mundo aberto, fazendo com que uma região possa estar diferente quando o jogador retornar. Caminhos, terrenos, pontos de referência e monstros poderão mudar, reduzindo a possibilidade de simplesmente memorizar uma rota e repeti-la posteriormente.
Internamente, a equipe chama esse processo de transformação do mundo de “terror forming”. A ideia é que os Comandantes do Medo tenham influência direta sobre diferentes regiões e deixem suas próprias características visuais na corrupção espalhada por Santuário.

A direção de arte está trabalhando com três momentos para representar essa transformação. O passado mostra aquilo que foi perdido depois da queda de Santuário; o presente representa as consequências da corrupção dos Comandantes do Medo; e o futuro mostra o que poderá acontecer caso o Inferno continue avançando. Cada comandante terá uma identidade visual própria que será refletida nas áreas sob sua influência.
Outra mudança importante estará nas cidades. Em Diablo V, elas foram destruídas e praticamente não existem lugares permanentemente seguros. A solução encontrada pela Blizzard foi transformar o próprio jogador e seus sobreviventes em um ponto móvel de segurança.
Durante a campanha, o jogador viajará acompanhado por uma caravana, formada por carroças e sobreviventes encontrados pelo caminho. Conforme novos personagens forem recrutados, a caravana crescerá e passará a reunir comerciantes, artesãos e companheiros.

A Blizzard compara a ideia ao acampamento das ladinas do primeiro Diablo, mas agora esse refúgio acompanhará o jogador durante sua jornada. Em vez de chegar a uma nova cidade e encontrar automaticamente outro ferreiro ou comerciante, serão os mesmos personagens que viajarão junto com o protagonista.
Isso também mudará a estrutura das missões secundárias. Como praticamente não existem civis vivendo normalmente pelo mundo, o jogador não encontrará constantemente personagens parados pelas estradas oferecendo tarefas. Os integrantes da caravana serão responsáveis pelo conteúdo secundário, com missões relacionadas às histórias pessoais de cada sobrevivente.
Um desses personagens será Zerg, um Goblin do Tesouro que poderá integrar a caravana. Em vez de aparecer apenas como uma criatura que precisa ser perseguida para conseguir equipamentos, o personagem terá sua própria história. Os jogadores descobrirão como ele sobreviveu, por que decidiu acompanhar o grupo e qual poderá ser seu papel na tentativa de derrotar Diablo.

A Blizzard também apresentou as três primeiras classes de Diablo V. O Caçador de Demônios estará de volta utilizando suas tradicionais bestas duplas, grande mobilidade e ataques capazes de arremessar e prender demônios contra paredes.
O Monge também retornará, novamente concentrado no combate corpo a corpo, utilizando os próprios punhos contra os inimigos e podendo recorrer à Luz Sagrada para atingir adversários à distância.
A primeira classe inédita anunciada é o Cavaleiro da Peste, um guerreiro fortemente protegido por armadura e descrito pela equipe como uma espécie de morte ambulante. Sua mecânica envolve espalhar doenças pelo campo de batalha e posteriormente consumir essas doenças para obter poder.

Essas três representam apenas parte do elenco. Segundo a Blizzard, Diablo V terá no lançamento mais classes do que qualquer outro Diablo já teve no total, e não apenas mais opções iniciais do que os títulos anteriores. A equipe pretende manter as classes acessíveis para novos jogadores enquanto oferece profundidade suficiente para diferentes builds e jogadores interessados em dominar os sistemas de ARPG.
A itemização também passará por mudanças. A Blizzard definiu três pilares para o novo sistema: profundidade, clareza e identidade. A interface mostrada durante o painel ainda é apenas arte conceitual e não representa necessariamente o inventário da versão final.
Os itens terão diferentes níveis e começarão relativamente simples, ganhando complexidade conforme a progressão. A equipe também está recuperando os itens que ocupam múltiplos espaços no inventário, permitindo que equipamentos maiores sejam visualmente representados de acordo com seu tamanho.

A Blizzard afirmou que está trabalhando em soluções específicas para que a manipulação desses itens continue confortável para jogadores que utilizam controles.
Os conjuntos de equipamentos também retornarão. A intenção é recuperar a sensação de encontrar uma peça de um conjunto e iniciar uma busca pelas demais partes, mas sem transformar esses equipamentos em uma obrigação que reduza a quantidade de builds viáveis. A equipe afirma que está trabalhando em formas de fazer os conjuntos ampliarem as possibilidades de construção dos personagens.
Outro sistema atualmente em testes são os requisitos de atributos para equipamentos. A Blizzard ressaltou que essa mecânica ainda é experimental e pode não aparecer dessa forma no produto final.
A decisão de produzir Diablo V como um novo jogo também nasceu da escala das mudanças planejadas. Durante o desenvolvimento inicial, a equipe discutiu se essas ideias poderiam ser implementadas como uma expansão ou se exigiriam uma sequência. A conclusão foi que alterar elementos fundamentais da estrutura de um jogo que já recebeu anos de expansões e temporadas seria difícil, levando a Blizzard a iniciar um novo título.

Diablo II também está sendo utilizado como uma das referências durante esse processo. A equipe analisou elementos que funcionaram no jogo, sua evolução ao longo dos anos e mudanças realizadas em resposta ao feedback dos jogadores, ao mesmo tempo em que procura introduzir novas ideias para Santuário.
A Blizzard pretende envolver a comunidade ainda durante o desenvolvimento. A apresentação da BlizzCon 2026 representa apenas o começo dessa comunicação, com atualizações regulares sobre o desenvolvimento previstas a partir de 2027. A equipe pretende apresentar mais detalhes dos sistemas e utilizar o feedback dos jogadores durante a produção.
Ainda existem muitas informações que não foram reveladas. O painel não apresentou todas as classes, não detalhou os poderes encontrados no Reino do Medo e deixou claro que sistemas como os requisitos de atributos e até elementos da interface continuam sujeitos a mudanças.
Mesmo assim, a primeira apresentação já estabelece a principal diferença de Diablo V em relação aos capítulos anteriores: desta vez, a jornada não começa tentando impedir a vitória de Diablo. O Senhor do Medo já venceu, Santuário caiu há sete anos e o jogador terá que sobreviver às consequências dessa derrota enquanto procura uma forma de enfrentá-lo.
